“Opening Night” (John Cassavetes)

O filme acompanha os bastidores de uma peça de teatro. Numa das primeiras cenas, vemos o cenário da peça: uma casa de dois andares, e um casal interpretado por Gena Rowland e o próprio Cassavetes (que eram casados de fato fora do cinema). A peça parece leve, mas é possível sentir que algo está faltando. A atriz parece estar fora de si mesma, distante.

Uma violência que não é mencionada nem explicitada, mas que existe na peça enquanto narrativa, incomoda cada vez mais a personagem de Gena Rowland, Myrtle Gordon, até tomar conta dela sob a forma de uma crise com alucinações. O roteiro da peça é sobre a velhice, e Myrtle preocupa-se com a repercussão que interpretar uma personagem que está ficando velha pode trazer para a sua carreira, que está no auge. Mas não é só o fato de a personagem estar envelhecendo, mas de como isso se dá na peça, de uma forma dura, a sensação sempre presente de que o tempo dela passou, de que é muito tarde, “too late” nas palavras da roteirista (por volta de dez anos mais velha do que Myrtle), e o remorso.

Myrtle procura sua personagem mas não a encontra na sua realidade. “She’s a nothing.” – ela diz ao diretor. Começa então a mudar as linhas do texto nas apresentações, procura subverter a peça mas se afunda cada vez mais no dilema do envelhecimento (ela que também não se casou nem teve filhos). Num dos ensaios diz: “I think I lost the reality of the reality.”

Na noite de estréia de um grande e importante teatro, Myrtle some durante a tarde e aparece no teatro cambaleando de bêbada, na hora do início da peça.

Há por fim um improviso muito bonito entre o casal, no qual eles acham uma especie de sintonia e conseguem abordar com humor o inevitável de estarem ficando velhos. Assim o papel de Myrtle se fundamenta em um (atriz e personagem) e ganha muita força, pela primeira vez.

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The film follows the backstage activity at a play. We get to see the play’s scenary already in one of the first scenes: a two-floored house, and a couple played by Gena Rowland and John Cassavetes himself (in fact, they were married in real life, too). The play appears to be very light, but the sensation that something is missing lingers. The actress seems to be just out of it, very distant.

Myrtle Gordon, the character played by Gena Rowland, starts to get more and more annoyed by a sort of hovering violence which is neither mentioned nor explicated. It bothers her to the point that she starts undergoing a personal crisis getting paranoid reactions in form of hallucinations. The violence mentioned above is in-existent throughout the play’s actual script, which actually focuses on old age, taking into consideration that playing such an old character can bring negative repercussions to her career (which is at that period of time in its pinnacle). All of this happens not only because the character is aging and getting regretful before her life, but because of the way this process is actually shown: in a very, very harsh, cruel way that seems to emphasize that her time is gone, that “It is too late”.

Myrtle Looks for her character but can’t get a grip on reality. “She’s nothing.” – she says to the director. She then starts to change her lines at the introductions, trying to subvert the play as a subterfuge, but ends up facing the dilemma of old age (she who didn’t get married nor had any children). During one of the rehearsal, she says: “I think I lost the reality of the reality.”.

At a certain point, we see Myrtle disappearing from the theater for a whole afternoon, to show up reeling, excessively drunk, only minutes before the first opening of the play.

At the end, there’s a very warm improvisatory sequence  between the couple, during which they find a sort of tune with each other, as they approach the inevitable fact that they are getting old with a very humorous attitude. This time, Myrtle’s character resumes itself into one (actress and character), gaining an unprecedented strength.

link do filme:

2 thoughts on ““Opening Night” (John Cassavetes)

  1. Muito booooommmmmm!!!!!

  2. não me interessei muito por esse

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