Deus da Carnificina (2012)

O último do Polanski. Uma locação e dois casais de atores espetaculares (Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz, John C. Reilly). Adaptação da peça “God of Carnage” de Yasmina Reza; o roteiro é sensacional: dois casais se encontram para conversar porque o filho de um casal bateu com uma vareta na boca do filho do outro, que teve que tomar pontos na gengiva.

Os adultos se mostram muito mais primitivos do que os meninos, a diferença é que a violência não é explícita, mas introjetada nos diálogos e comentários que ficam cada vez mais afiados ao longo do filme.

Vale a pena só pelo texto, a atuação torna o filme impecável.

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“Lua de Fel / Bitter Moon” (Roman Polanski)

Lua de Fel é um filme excepcional de 1992. É excepcional porque alcança os extremos de uma relação amorosa. Polanski não coloca empecilhos entre o casal principal, a não ser eles mesmos.

O começo da vida desse casal junto, Oscar e Mimi, é permeado de afeto, e é uma narrativa interessante, porque parece que ao longo do tempo o sexo dissolve o afeto – experiências sexuais intensas abrem caminhos para o desprezo, a violência e a humilhação. Há depois a sensação de esgotamento, Oscar sabe que Mimi é fantástica e, ainda assim, beijar a boca dela parece apagar um cigarro no filtro.

Daí a violência amorosa fica ainda maior.

O que é  um pouco bonito nessa lama é que nesta violência é possível haver de novo a intimidade, como se a relação desse uma volta extremamente cansativa de 360o.

Mas eles voltam  para o começo mais cínicos, mais amargos, mais tristes e mais velhos. Mimi empurrando Oscar numa cadeira de rodas. O filme começa assim. Os dois num cruzeiro cafona presos um ao outro, com amor e ódio, tentando seduzir outro casal tripulante do navio com a história deles; como um pedido de socorro que é uma piada, porque eles sabem que não podem ser socorridos.

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Bitter Moon (1992) is an exceptional movie. It is exceptional because it reaches the highest extremes of love and relationships. Polanski does not create any artificial barriers between Oscar and Mimi, the main characters – non besides the one that already exists between both of their selves.

The beginning of Oscar and Mimi’s love life is permeated by affect, and it brings an interesting narrative. As time passes, sex seems to dissolve that very same old affection. Intense sexual experiences shed a light for despise, violence and humiliation. After that, we’re filled with a sense of emptiness that is emanated from their interactions. Oscar, for instance, knows that Mimi is an awesome girl – still, kissing her seems more like finishing a cigarette right at the filter.

The romantic violence increases even more.

Amongst this dirty mug of violence, there is one element of beauty: the fact that intimacy is never far from their reach. The dynamics of the relationship are just like an endless, wearing 360 degrees spin.

But they get back to the start as cynical, bitter, sad and old as ever before. Mimi pulls Oscar in a wheelchair. That’s how the film begins. They’re both in a tacky cruise, stuck in each other, filled with love and hatred, trying to seduce another couple that is also aboard. They approach them telling a personal story – a cry for help, a joke: they know they cant be saved.

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